terça-feira, 30 de setembro de 2014

Estilos de Liderança

Toda organização depende de um controle acurado e de métodos de gestão que permitam ter, ainda que de forma parcial, certo tipo de influência sobre seus colaboradores. Para isto, as empresas utilizam-se de seus gerentes e gestores, como forma de manter o controle e influenciar os colaboradores a agirem de tal forma que a empresa atinja seus objetivos, suas metas, sua razão de existir. Dito de forma simples, sem gestores as empresas não chegam a lugar algum.
          E apesar de alguns gestores terem suas posições garantidas por motivos “inexplicáveis” – ou pelo menos por motivos questionáveis – sabe-se que, em geral, um gestor é escolhido ou promovido de acordo com sua capacidade de liderança. Independente de qual seja a personalidade do gestor, ele precisa saber liderar.
          Liderar envolve muito mais do que mandar e se fazer obedecer. Daí é que entendemos que nem todo líder é gestor e nem todo gestor é líder. Existem líderes em todas as partes, assim como existem gestores que não são líderes também espalhados por todas as organizações. De qualquer forma, vale à pena conhecer melhor os quatro tipos básicos de liderança que encontramos na atualidade. São eles:
  • líder autoritário: é aquele se impõe pelo poder, pela autoridade que tem devido à sua função ou cargo. É interessante notar que nem todo líder autoritário é um ser tirano ou carrasco. Existem muitos líderes autoritários carismáticos e com boa pinta. Fique atento! Normalmente, este tipo de líder esconde sua frustração ou sua falta de habilidade para resolver conflitos ou para motivar a equipe atrás de sua posição elevada na empresa, o que o leva a agir desta forma, através da coerção. Em geral, este tipo de líder é comprometido com as metas e os resultados da empresa, esquecendo, muitas vezes, do fator humano ao traçar seu plano de ação, desconsiderando algumas das necessidades mais básicas de seus colaboradores;
  • líder autoritário-benevolente: é uma variação do primeiro tipo de liderança, que mais se parece com um “pai” do que com um gestor. É do tipo que tem autoridade mas que acolhe a todos, criando na equipe um sentimento coletivo familiar. Porém, como todo bom pai, pode acabar sendo superprotetor e dificultar o crescimento dos membros da equipe, mantendo-os eternamente cativos de seus cuidados e de sua proteção, fomentando sentimentos de infantilidade e incapacidade, afinal, o pai é quem sempre sabe tudo e é ele quem tem o direito de escolher o que os filhos farão;
  • líder consultivo: é o tipo de líder que se preocupa em ouvir atentamente a opinião dos membros da equipe e mantém um canal de comunicação sempre aberto com a equipe. Em geral, são líderes que estão aprimorando sua capacidade de liderança e estão testando diversos modelos de liderança e ação a fim de se identificar melhor com um tipo de gestão que seja compatível com o seu perfil. Porém, cabe uma ressalva, ainda que seu líder seja do tipo consultivo, sempre é bom refletir no que vai dizer e se vai dizer. Nem todos os líderes consultivos estão preparados para utilizar as informações que obtém com seus colaboradores de maneira inteligente e responsável. É sempre bom se certificar de que o seu líder é do tipo que valoriza a diversidade e que sabe dar os créditos a quem realmente merece;
  • líder participativo: é o líder democrático, o que se preocupa em atender aos anseios de toda a equipe, buscando um ponto de equilíbrio entre os objetivos da empresa e os objetivos pessoais de cada colaborador. Porém, é digno de nota que nem todas as empresas permitem que exista este tipo de liderança pois algumas a consideram como uma ameaça ao controle e gestão ou a consideram como uma forma de empoderamento desnecessário do quadro de colaboradores. Vale lembrar que a efetividade do processo de gestão participativa não depende apenas da “boa vontade” do líder, mas envolve outros fatores, como já mencionado, além de ser necessário um grande equilíbrio e foco por parte do líder para que este não se perca em questões menores e desnecessárias, perdendo o controle de toda a sua equipe.
          Todos os quatro tipos de líder apresentam pontos negativos e pontos positivos, dependendo da situação ou do tipo de gestão que a organização preconiza com base em seu código de ética e em sua cultura organizacional. De qualquer forma, é sempre bom conhecer os diferentes tipos de liderança e verificar qual é a melhor forma de agir em todas as situações, quer sejamos líderes, gestores ou subordinados.
          Nunca haverá o modelo ideal ou a verdade absoluta. Afinal, estamos falando de Administração, que é um conceito tremendamente amplo e que é moldável de acordo com a época e o tipo de organização. E é exatamente essa fragilidade petrificada que deve nos mover a conhecer e se aprofundar cada vez mais nos temas que envolvem a gestão de recursos intelectuais. Somos todos seres humanos, em constante mudança, em constante crescimento! E nossa capacidade de liderar e conduzir pessoas se desenvolve na mesma medida em que aprendemos a nos conhecer melhor e a entender o outro ser humano que estão ao nosso lado.
          Sendo assim, o bom líder é aquele que busca o autoconhecimento e que demonstra equilíbrio e sabedoria na sua constante busca pelo conhecimento para entender o que há de mais complexo no Universo: o ser humano!



Referências bibliográficas:
CURTY, Ana Luisa. In: ÁVILA, Célia M. de. Gestão de Projetos Sociais. 3ª Ed. São Paulo: AAPCS, 2001.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Psicogênese da Criatividade

A PSICOGÊNESE DA CRIATIVIDADE

          A criatividade é uma capacidade nata do ser humano, em maior ou menor grau, de acordo com o desenvolvimento e as experiências do indivíduo. O meio ambiente e o meio social no qual o indivíduo se desenvolve podem propiciar maior ou menor quantidade de estímulos físicos, sensoriais e experienciais, atuando como mediadores no desenvolvimento da capacidade de aprendizagem e na criatividade.
          A criatividade tem fundamento também na capacidade de pensar sobre as coisas já aprendidas anteriormente e se apropriar de novos conhecimentos, dando origem a um novo pensamento, a uma nova ideia, ou a uma releitura de ideias anteriormente apresentadas. Abrange desde pequenos e simples projetos até grandes obras, de renome mundial. Qualquer criação é fruto da criatividade, seja ela simples ou complexa!
          Um fator importante na criatividade é o senso de realização pessoal que o processo criativo oferece ao criador depois de concluída a sua obra, seja ela uma simples criação de um sanduíche ou um projeto arquitetônico faraônico. Desde simples projetos, sejam eles literários, artísticos, arquitetônicos ou quem sabe até mesmo gastronômicos, até grandes obras, a criatividade é a mola propulsora do desenvolvimento de qualquer sociedade e das atuais tecnologias.
          A criatividade também é um método de sobrevivência utilizado pelo homem desde a antiguidade, auxiliando a solução de problemas e dando origem às principais invenções do homem.
A partir do domínio criativo do fogo, ele se impôs aos animais mais fortes, solucionando um de seus primeiros problemas. Mais tarde, com a invenção/descoberta da roda, acionou o progresso, descobrindo as oportunidades geradas pela ausência de atrito. […] Batizamos essa vertente de ‘criatividade aplicada’. (PREDEBON, 2006, p.34)
          A criatividade está presente no comportamento diário do ser humano, às vezes em base imperceptível. A habilidade da fala, por exemplo, é um exercício e uma demonstração de nossas capacidades criativas, na capacidade de improvisar pensamentos, revisar mentalmente informações já conhecidas e verbalizar ideias e pensamentos de maneira organizada e lógica.
          A criatividade aparece desde a tenra infância, na tentativa de descobrir o mundo, conhecer o que está ao redor. As crianças são normalmente curiosas, questionam tudo e tentam entender o que está se passando no mundo a sua volta. É a criatividade agindo na mente dos pequeninhos. Os constantes questionamentos, as travessuras, as brincadeiras, o desembaraço e a vivacidade infantil são o reflexo da criatividade em ação, uma expressão de sua personalidade em desenvolvimento.
          É nesta fase em que a maioria das pessoas sofre bloqueios que acabam minando seu potencial criativo (compulsão). Muitas vezes, a criatividade comum passa a ser considerada como algo compulsivo, devaneios infantis ou irreais e diante da falta de compatibilidade com a realidade, as vantagens da criatividade são ofuscadas pelo maior risco que sua aplicação oferece. O não arriscar é um ato limitante para o desenvolvimento da capacidade criativa.

REFERÊNCIAS:
PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente: um caminho para o exercício prática dessa potencialidade, esquecida ou reprimida quando deixamos de ser crianças. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006.